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sexta-feira, 7 de junho de 2013

A dependência do carro

Já moro aqui há quase 3 anos agora e uma coisa com a qual muita gente ainda se admira no Brasil é como a gente consegue se virar sem carro?! hahahha Já ouvi muitas vezes essa pergunta e pra mim ela é tão rizível que sempre me põem a pensar em como brasileiro é dependente de carro. Claro que eu entendo perfeitamente que o transporte público por lá é uma droga, viajar de ônibus pode ser uma odisséia e muitas cidades ficam longe de tudo e de todos, sem falar nas pessoas que moram no campo. Mas tomemos o exemplo de uma cidade como Hamburg, que tem assim uma população do tamanho de Curitiba aproximadamente. Eu digo sempre, com todas as letras pra quem vem pra cá e quer saber como se locomover na cidade: "trem". Isso pra gente aqui é tão óbvio, tão simples, tão banal não é verdade? Eu entendo perfeitamente que o sonho de muitos (homens especialmente) é vir pra Alemanha, alugar um carro pra poder correr nas Autobahns... ahhh sim, todos que vieram pra cá tinham esse sonho, meu pai, meus irmãos, meu sogro, até o Lukas sei que adoraria ter um carro por aqui pra aproveitar as maravilhosas estradas. 

Mas a coisa que sempre de novo me faz refletir e perceber como essa relação com o transporte por aqui é diferente, é quando recebemos visitas que insistem em ter um carro enquanto estão aqui conosco. Não digo que não aproveitamos pra ir ao mercado e fazer comprar maiores do que o normal, não digo que não seja prático em dias de chuva. Mas sabe que pra mim é tão tranquilo ir ao mercado com o carrinho de compras (mesmo já fazia isso em Curitiba) e não ter que me preocupar com o transito pra chegar e voltar de lá. É só sentar no trem/ônibus e descer na parada certa, nada de procurar (e pagar) estacionamento e me estressar com os demais motoristas.  Esses dias mesmo, fomos no IKEA comprar uma poltrona mais alta que nosso sofá pra que fique mais fácil de eu conseguir levantar agora que a barriga começa a ficar mais pesada (e depois ainda tem a amamentação), e tranquilamente fizemos isso de trem. Quem conhece o IKEA sabe que por lá as coisas vem meio desmontadas e depois é um quebra-cabeça pra você mesmo montar em casa, então essa poltrona veio numa caixa. Antes de sair de casa olhamos o tamanho e peso dela e constatamos que não teríamos problemas em carregar a caixa no carrinho de compras e assim fizemos. E foi tranquilo, ninguém fez força demais, ninguém sofreu, nada como qualquer outra compra. Mas do Brasil a gente já ouve um questionário de perguntas meio que indignadas ou incrédules de que fomos capazes de trazer uma POLTRONA, DENTRO do TREM!!! Vejam só gente, como assim?!!!!!!!!!¨hauhauahau Eu rio muito ainda com essas reações. E como é difícil de convencer o pessoal a largar o carro aqui e ir pro centro de trem... Quando meus sogros estiveram aqui em março, tudo eles queriam fazer de carro, acho que só uma vez conseguimos fazê-los andar de trem, isso depois do susto que levaram tendo que pagar uma pequena fortuna no estacionamento no centro da cidade. Não adianta, sei que é muito cultural, e pra muita gente não faz muito sentido largar o conforto do carro mesmo que seja pra ir ali no centrinho do bairro pra almoçar... Eu vou é sentir muita falta dessa praticidade do transporte público daqui, não quero nem pensar em ter que dirigir em trânsito caótico ou pegar ônibus sem horário certo e pagando 2,3,4 passagens pra chegar no lugar que desejo...

16 comentários:

  1. ótimo post, uma das coisas que mais gosto na Alemanha é o transporte, curto mesmo o Bahn, o Zug e exemplo vou ao supermercado de Bike que tem cestinhas e nela cabe as compras que faco geralmente de semana em semana, nada de fazer compra de supermercado mensal, além de usar minha bike pra quase tudo a nao ser quando o lugar é longe a deixo na Bahnhof e sigo de trem, temos carro, mas marido que usa pra ir pro trabalho que é considerado longe e num lugar nao central, apesar de ter carteira e ter dirigido no Brasil nao gostava muito, pq o transito é louco d+ por lá, aqui mais a frente penso em tirar a alema, mas ate agora nao me faz falta nenhuma :)

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    1. É verdade, a gente não sente a menora falta... Ahh claro, quando quer fazer uma viagem e conhecer lugarzinhos mais isolados, mas no dia a dia aqui em Hamburg é totalmente dispensável. Até já pensei em ir de bicicleta até o mercado, mas o que a gente gosta é meio longe então vamos de S-bahn, mas eu acho superprático ir e vir por aqui usando o tranposte público!

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  2. Ahhh você é de Curitiba??? Eu moro em Curitiba, faz 1 ano!
    Olha eu sou meio frustrada com carro... tirei carteira tarde (aos 25) e até hoje (limiar dos 29 rs) quase não tive oportunidade de dirigir, ou seja, sou uma motorista de duas mãos esquerdas por assim dizer. Como trabalho perto de casa vou e volto andando para não me estressar com ônibus, mas quando preciso ir um pouquinho mais longe, sair do bairro para ir num lugar qualquer é passar raiva e frustração esperando o ônibus na rua, sem contar o tempo que se perde esperando e tentando fazer as conexões (isso em Curitiba que o transporte urbano é infinitamente melhor organizado do que em Florianópolis onde fui passageira por muitos anos). Em dias de chuva, muitas vezes vejo tristemente os carros passar sonhando com o dia que não precisarei ficar esperando 15, 20, 40 minutos nos fins de semana, torrando no sol, me molhando na chuva, perdendo um tempo absurdo por aí... Sem contar no transtorno para trazer qualquer coisa um pouquinho maior dentro do ônibus (nem estou considerando uma poltrona desmontada!) tendo que me segurar onde der (porque os ônibus estão sempre lotados e dificilmente há lugar para sentar) e contando com a boa direção dos motoristas (minha teoria é que muitos deles tem moto e estão acostumados com ela, teoria reforçada porque vez por outra vejo um capacete guardado nos ônibus, então eles tem certos vícios de moto que acabam tentando aplicar aos ônibus, como a velocidade, as curvas fechadas e inadvertidas, freadas bruscas, enfim...). Ou seja, no Brasil, eu sou uma das que, se pudesse, teria e usaria carro. Provavelmente, usaria bastante. Rs.

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    1. Oi Mari!

      Olha,não sou de Curitiba não, mas morei lá os últimos anos antes de me mudar pra Alemanha,foi onde fiz faculdade e tal...

      E sobre o que você escreveu, concordo plenamente, também dependia de ônibus por aí e a coisa é precária, mesmo numa cidade que se diz exemplo de transporte. Com toda certeza quando voltarmos ao Brasil precisaremos de um carro, por todos esses motivos que você citou acima, e justamente porque no Brasil você depende dele, não tem jeito, mesmo que você não queira.

      beijão

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  3. Eu também não sinto a menor falta de ter um carro, apesar de termos um, rs... Quando morei no centro da cidade tinha transporte na porta de casa, mas agora, apesar de termos o essencial perto, escolhemos carro somente pela facilidade do ir e vir e principalmente porque para o meu marido o trabalho com carro fica muito mais rápido. Fora isso eu faço tudo a pé, de trem, de tram ou de bus e tudo funciona muito bem!! Só ainda não carreguei uma poltrona desmontada, rs... mas já compramos muiiiitas coisas e carregamos nos trans e trens da vida antes do carro :-).
    E sabe o que mais me choca? Ontem em SP teve protesto por conta do aumento no valor da condução, que deve custar 3,20 reais. Eu particularmente acho um absurdo de caro pela qualidade que o transporte oferece. Pois é, teve um conhecido no FB chamando os protestantes de vagabundos, porque por causa do protesto ele ficou parado no trânsito!! Se o povo protesta é vagabundo, se não protesta é acomodado! Eu não concordo com vandalismo, mas acho que tem que protestar sim!! Quem sabe assim um dia as coisas no Brasil não mudam? Bjs e bom fds!!

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    1. Nossa, realmente também concordo que devemos protestar sim, mas sem fazer baderna/quebradeira porque daí se perde toda a razao nao é verdade?! Também acho o preco das passagens muito alto no Brasil, especialmente pela (falta de) qualidade do servico que oferece.

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  4. Nao usava carro aqui na Alemanha até minha primeira filha nascer. Daí confesso que passei pro outro lado da forca :-)
    Com ela pequenininha, no frio, no inverno (ela nasceu em novembro e prematura) tinha muito medo de deixá-la muito tempo fora de casa e com o tempo, confesso, fui me acomodando. Claro que ainda nao vou para o centro de Hamburgo de carro. Mas para fazer compras, agora, principalmente compras maiores, nunca mais fui só de carrinho. O carrinho da Sophia anda tinha um agravante de nao ter muito espaco por baixo entao mudei para uma compra semanal e diariamente só padaria e budni :-)

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    1. Imagino que com filho e especialmente no inverno ter carro seja mesmo uma "mao na roda". A gente vai ter que se virar sem mesmo, veremos como nos arranjamos.

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  5. Conseguiu em pouco parágrafos explicar muito bem como é fácil viver na Alemanha sem carro :-)
    No entanto deixe-me acrescentar uma coisinha: os que pensam que é só ir para a autobahn e acelerar sem limite de velocidade, levam normalmente uma má surpresa, pois há sempre muitos troços com limites. E eu acrescento: ainda bem!
    Saudações :-)

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    1. Ahh é verdade Luis, nao é em qualquer pista que se pode pisar à vontade, na real está cada vez mais difícil trechos em que o limite de velocidade é liberado.

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  6. hunnn... Aqui na Belgica muita gente tem carro. Muita mesmo... Eu acho que a diferenca esta na maneira de usa-lo. Porque eh super comum as pessoas usarem trem/bicicleta no lugar de carros e isso eu nunca vi no Brasil. A gente so usa transporte publico no Brasil quando nao temos carros.
    Mas eu entendo... Primeiro tem a nossa mania - estupida - de querer mostrar posses. Quem eh rico tem carro, quem eh pobre anda de onibus... mesmo que o "rico" pague 350 mil prestacoes pro resto da vida naquele Gol 1.0 que custa um absurdo. Aqui as pessoas nao perecem se importar tanto com esse tipo de status. O que eu acho excelente!
    Outro ponto muito importante eh a seguranca... Voce pega um trem aqui, senta, abre seu laptop e vai trabalhando ate chegar na outra cidade, eu fica navegando pela internet... sei la... Nunca me passou pela cabeca ter medo de ser roubada, assaltada... Ja no Brasil nao eh a mesma coisa... Alias, nem penso no laptop em si, mas em andar nas ruas, com uma bolsa, uma carteira... Eu tenho um relogio que gosto muito, nao eh caro, mas chama a atencao, que nunca uso quando vou ao Brasil, por medo de te-lo roubado.
    Ahhh... E se voce quiser cruzar o pais, do flanders pra Walonia, vai ter que andar MUITO, porque os trens tem uma conexão horrivel... de resto, eu gosto do serviço daqui.
    E eu estou tirando minha carteira de motorista... porque temos feito muitas viagens de carro... Eh bem mais pratico do que de trem/aviao... =)

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    1. Acho que aqui na Alemanha muita gente também tem carro, são poucos os que não tem, mas é bem como você disse, a diferença está no jeito em que o usam. É super comum o pessoal ir até uma estação de metrô perto de casa com o carro, deixá-lo lá num estacionamento e ir até o centro da cidade de metrô/trem. Acho que aí está a consciência de que não precisa ir de carro até a porta dos lugares que se quer!

      Ahh e com certeza pra viajar ter um carro é mais prático, especialmente pra cidades menores onde não passa trem. A gente se continuasse a morar aqui iria pelo menos tentar tirar a carteira alemã para termos aopção de alugar um carro quando quiséssemos viajar e ficar mais independentes de trens e horários. Mas na cidade grande e no dia a dia não faz falta nenhuma.

      beijinho

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  7. Muito bacana seu post... concordo com quase tudo, digo quase pois com filho a realidade muda um pouco Babi.
    Não temos carro aqui e andamos muito bem pra baixo e pra cima de Tram, trem, ônibus...
    Mas no frio, neve é foda andar com a Valentina, ela reclama de frio, as vezes chora e adoece, criança qualquer coisinha fica doente...
    Mas também é só isso, o restante é como você disse. Mas no Brasil é caótico e também vou sentir saudades da organização daqui e praticidade das coisas, da até arrepio de pensar em voltar pra bagunça depois de ter conhecido esse lado bom daqui...
    beijos flor

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    1. Oi Ana.

      Poxa, imagino mesmo que com criança as coisas mudam um pouco, tenho certeza que especialmente no frio ter um carro por aqui faria uma grande diferença. A minha crítica é realmente pra super dependência de carro que se tem no Brasil, conheço gente que usa o carro pra irali na esquina de casa comprar pão, isso eu acho um exagero sabe, e claro o tranporte público no Brasil é uma m...

      beijos pra vc

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  8. Eu nunca tive carro, sempre dependi do transporte público aqui no Brasil. Isso é uma das coisas que mais me dá saudades da Alemanha e um dos motivos que mais me motiva a voltar a morar aí: o transporte publico funciona, e é seguro!
    Eu realmenter não me importo de depender do ônibus por aqui, mas além dele não se eficiente e abranger uma area decente, não cumprir horários, é inseguro em certas horas e dias, depende do trânsito, que é uma bosta, e é ineficiente.
    Na Alemanha muita gente tem carro, mas acho que usam com melhor parcimônia. Sem contrar que aí tem carros de verdade por preços justos, e não se vive de status como aqui, onde o brasileiro paga 3 vezes mais por um carro versão brasileira que é muito inferior em qualidade que mesmo modelo de carros na Argentina por exemplo (nem preciso ir longe pra comparar). Carro aqui é sinonimo de status, de que o vivente tem poder aquisitivo. E ao mesmo tempo é sinonimo de melhor segurança para se locomover.
    Que saudades da Alemanha!!

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    1. É verdade Grazi, no Brasil carro é sinônimo de status, acho que é por isso também que nao gosto tanto. Apesar de ser quase sempre necessário aí aí dá pra se virar bem sem ter um. O que eu acho mais legal é que aqui mesmo que as pessoas tenham carro elas ainda assim usam o transporte público, acho que isso é que é inteligente!

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