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O segundo mês de agosto

Desde que me tornei mãe (até parece que faz tanto tempo), sempre que chega o mês de agosto começam a vir na minha cabeça e no meu coracao lembranças dos dias antes do parto do Leopold, e daqueles primeiros dias juntos. Meio que sinto de novo toda aquela ansiedade e passo de novo por todos aqueles sentimentos e sentidos. Hoje respondendo um e-mail pra uma amiga que acabou de parir também me vieram ainda mais lembranças e pensamentos... Eu fiquei  com receio de escrever a ela logo nos primeiros dias. Não quis atrapalhar, com eu gostaria de não ter sido atrapalhada nos meus primeiros dias sendo mãe. 

Fico pensando em como eu gostaria de poder ter tido mais tempo pra nós, pra aproveitar e internalizar tudo aquilo que estava acontecendo. Mas não deu... Me senti numa avalanche de sensacoes que não pude usufruir, não pude sentir, não pude tentar entender. Não deu tempo. Queria poder descansar daquela avalanche de sensacoes, mas não deu, não tive tempo. Me senti absurdamente cobrada, por mim e por todos. Era o tempo todo alguém querendo saber do Leopold, era o tempo todo alguém querendo ver o Leopol, era o tempo todo alguém querendo se lamentar pelo Leopold, era o tempo todo alguém dizendo o que o Leopold precisava naquele momento... E eu?! Eu estava lá sozinha, não sabendo o que fazer, também querendo o Leopold. Pra gente se conhecer, pra gente se conectar. Mas não dava tempo, não deu tempo. Estava todo mundo rodeando querendo ver e fazer. Mas ninguém se lembrou de ME perguntar como EU estava me sentindo no meio daquilo tudo. Era skype pra lá e pra cá querendo "ver o Leopold", mas ninguém querendo dar o espaço necessário àquela nova mãe. Ninguém quis saber se eu estava bem, se estava conseguindo amamentar, se os meus ideais estavam se concretizando. se eu estava sentindo dor, se eu estava precisando de um ombro amigo, se eu estava precisando chorar. E como eu chorei, e sozinha. Não tinha ninguém ali pra mim. Era tudo só em funcao do Leopold. Nada em funcao da mãe. E como isso dói. Ainda dói. E eu tenho medo que vá doer pra sempre.

Comentários

  1. Bárbara, nao sei se meu comentário anterior foi enviado, se sim apague este. Eu havia dito que nao sou mae e sequer posso imaginar como você se sente, mas te envio meu abraco sincero e meu desejo de que em essa dor possa passar em breve, que você fique bem. Beijo

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  2. não sei o que dizer, bárbara. mas sempre imaginei que houvesse uma certa pressão em mães recém paridas. muita visita, muito achismo e gente que diz uma coisa atrás da outra como se fossem verdades absolutas. não deve ser fácil.
    o mês de agosto tb me trás muitas memórias e me peguei revivendo bastante coisa.

    xx

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  3. que desabafo bonito, bárbara. e que mundo triste onde uma mäe deixa de ser mulher, deixa de ser pessoa.
    te deixo um abraço. bem apertado :*

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  4. Me senti identificada com cada umas das tuas palavras. E acho, sim, que dói para sempre.
    Um abraço.

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  5. Poxa Bárbara. Não sou mãe ainda, mas já tenho o espírito e super te entendo. É um momento tão delicado, que realmente é para ser usufruído da melhor maneira possível. Infelizmente existe mta gente incoveniente nesse mundo. Lamento muito o que te aconteceu. Um abraço forte!
    btw, esta foto está super linda.

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  6. Babi, sinto muito por você ter passado por isso. Eu não tinha pensado nisso dessa forma, talvez só teria essa consciência depois de passar por isso. Eu não tinha percebido o quanto pode ser cansativo e doloroso para a mãe (e aposto que para o bebê também, pelo menos cansativo, né) receber esse tipo de visita logo depois do parto. Obrigada por compartilhar seus sentimentos e me fazer entender o seu lado, vou ser bem cuidadosa quanto a isso a partir de agora.

    beijos!

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  7. Nossa! Esse texto mexeu muito comigo. Sinto muito pelo o que você passou. Tenho uma amiga que se tornou mãe a pouquíssimo tempo e eu deixei ela vir mostrar o filho pra mim, não fiquei perguntando nem nada. Acho que nos primeiros meses a mãe precisa ter seu espaço mesmo!

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